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Se você tivesse que se mudar, o que levaria?

02/07/2010

Uma das coisas que me traz mais satisfação acontece quando eu me mudo para uma nova casa: minimalismo forçado.

Quando me mudo – e muitas pessoas agem da mesma maneira – eu acabo com a desordem das minhas posses para que eu não tenha que levar muita coisa. Prefiro me livrar de metade das minhas coisas a embalar e levar todas elas.

É um pouco trabalhoso acabar com toda desordem, mas isso traz uma satisfação profunda. E é muito mais fácil atualmente, agora que eu normalmente mantenho as coisas relativamente simples. Entretanto, sempre existe um acúmulo de desordem que acontece com o tempo.

Quando termino de me mudar, estou somente com o essencial (mais alguns outros poucos confortos). Minha nova casa é lindamente minimalista, e eu estou realmente feliz.

Eu tento manter minha casa dessa maneira por boa parte do tempo, mas com todas as minhas crianças isso não é sempre possível.

Fazer mudança me força a ser minimalista e é um tempo de reflexão: o que eu preciso? O que eu realmente utilizo? O que eu amo?

Então minha pergunta para você hoje é: se você tivesse que se mudar hoje, o que você levaria?

Pode ser útil fazer uma lista de verdade. E então pode ser útil se livrar de tudo que não está nessa lista.

Só uma ideia.

Pise suavemente sobre esse mundo

22/06/2010

Foto de the sea the sea

Nós podemos aprender muito das culturas tradicionais como os nativos americanos. Incluindo a ideia de andar suavemente sobre esta Terra.

É algo de que nos esquecemos em centenas de anos de luta para alcançar mais, produzir mais e construir coisas maiores e melhores.

Nós nos esquecemos de andar levemente e, em vez disso, minamos a Terra dos seus recursos naturais, derrubamos florestas, poluímos rios e lagos e oceanos, alteramos a paisagem para adequá-la às nossas necessidades, sujamos o ar, fizemos a chuva se tornar ácida e esburacamos a camada de ozônio.

Isso não é novidade. Todos nós estamos cientes dos problemas, mas as soluções são menos óbvias.

Eu compro produtos mais verdes? Eu compro um carro mais verde? Eu reciclo todas as coisas que uso?

Bem, com certeza. Você pode fazer todas essas coisas, e elas são úteis. Mas melhor ainda: viva uma vida de menos e ande mais leve.

Uma vida de menos significa que você consome menos, usa menos recursos naturais, polui menos, possui menos coisas, contribui menos para as emissões de gases do efeito estufa.

O minimalismo, a filosofia de uma vida de menos, é mais sustentável porque usa menos e, assim, reciclar não é tão necessário (apesar de ainda ser importante). Não é sustentável continuar a consumir grandes quantidades de produtos (não importa quão verdes eles sejam) ou a usar recursos naturais (não importa quão orgânicos).

Há muito a escrever sobre isso, e eu escreverei mais depois, mas aqui estão alguns poucos e pequenos exemplos:

  • Compre menos coisas. Comprar muitos produtos está no coração disso. Leia mais: Por que ter menos coisas é melhor; Consumismo vs. Minimalismo; Repensando necessidades.
  • Coma menos. Os americanos em geral comem demais*. Não é só sobre as grandes quantidades de recursos naturais que são consumidas na produção de toda aquela comida, apesar de serem imensas (leia sobre as florestas tropicais sendo derrubadas para fazer pasto para as vacas de corte do McDonald’s, por exemplo). É também sobre os restaurantes muito esbanjadores, do McDonald’s ao Chilis ao Lone Star, servindo quantidades absurdas de comidas carregadas de gordura e sal e açúcar (e jogando a maior parte disso fora), quando nós podíamos simplesmente comer em casa. É sobre toda a embalagem usada em todas as nossas comidas congeladas e processadas. É sobre os problemas de saúde que aparecem quando comemos tanta comida não saudável, e sobre os recursos desperdiçados em cuidar de todas as pessoas doentes, gordas demais de tanto comer.
  • Coma menos carne. Carne não é sustentável. A maioria das plantações que cultivamos são para alimentar animais criados para alimentação ou laticínios ou ovos. Se parássemos de comer tanta carne, usaríamos menos recursos e poderíamos alimentar mais pessoas.
  • Use menos embalagem. É insana a quantidade de embalagem que é usada em todos os produtos que compramos. Infelizmente, não há muita escolha quando se quer comprar alguma coisa. Escolha produtos com menos embalagem quando de fato tiver escolha. Eu penso que o público demandando menos embalagem fará com que os fabricantes mudem essa prática de desperdício.
  • Dirija menos. Ande mais. Comece a andar de bicicleta. Use transporte público. Pratique a carona solidária. Fique em casa às vezes.
  • Tenha uma casa menor. Tenha menos coisas e precisará de menos espaço. Casas grandes são fontes de desperdício, não só nos recursos gastos para construí-las, mas na refrigeração, no aquecimento e na manutenção**.

Novamente, esses são só alguns exemplos. Isso é na verdade um mindset, não uma lista de afazeres de lavanderia.

“Ande suavemente na primavera; a Mãe Terra está grávida.” Provérbio nativo americano (Kiowa)



*O texto original tem por base o estilo de vida norte-americano, entretanto, a presença desse tipo de restaurante também é grande no Brasil, ensejando desde já uma reeducação alimentar.

**Na maior parte do Brasil, não usamos ar condicionado ou aquecedor em casa, mas o conselho sobre a manutenção continua valendo para todos nós.

Consumismo vs. Minimalismo

17/06/2010

Existe na maioria de nós um desejo implícito de comprar coisas legais.

Isso brota de medos e inseguranças, eu acho, mas é explorado pelas corporações e pela publicidade. A publicidade é projetada para nos fazer desejar mais, querer comprar e, por funcionar tão bem, nós acabamos comprando muito, muito mais coisas do que precisamos.

O minimalismo é exatamente o contrário desse fenômeno e, para alguns de nós, é a resposta.

Pense nas sociedades tribais, nunca expostas ao consumismo ou à publicidade. Elas não têm a necessidade de sair e comprar novas roupas legais ou gadgets ou carros ou calçados. Não é que eles não tenham desejos, mas não são na mesma escala que na nossa sociedade.

Mesmo nos dias anteriores à publicidade, estes tipos de desejos por mais não eram tão predominantes. Foram a propaganda e o consumismo que criaram os desejos, ou ao menos os ampliaram a um nível exageradamente alto. É extremamente efetivo.

Infelizmente isto significa que estamos sempre querendo comprar mais e sempre gastando mais. O que significa que acabamos endividados ou trabalhando mais para ganhar mais. Ou ambos. E hoje as famílias precisam ter duas fontes de renda – o oposto de somente 50-60 anos atrás, quando somente uma fonte de renda era necessária – em parte porque nós estamos tentando manter um estilo de vida mais caro (também porque estamos recebendo menos). Nós estamos também mais endividados do que nunca.

Precisamos parar e nos perguntar – para que tudo isso? Por que estamos trabalhando tanto para comprar tanto, ter tanto, e acabar sobrecarregados e atravancados por tanta coisa?

É coisa demais. Os minimalistas dizem, “Estou saindo desse ciclo. Eu decido ficar de fora.”

O minimalista primeiro observa o “preciso vs. quero” – esta é uma necessidade real ou somente um desejo criado pela propaganda? E se é um desejo, ele não compra.

O minimalista aprende lentamente a se libertar dos desejos. Isso não acontece da noite para o dia, mas pode acontecer, gradualmente, com um esforço consciente.

Aqui está como faço isso:

  • Aprendo a ser mais consciente dos meus impulsos quando estou prestes a comprar algo.
  • Aprendo a parar e respirar, para deixar o desejo físico diminuir.
  • Forço-me a esperar, se a compra não é uma necessidade absoluta.
  • Deixo-me pensar sobre isso e analisar se é realmente algo que eu preciso comprar. Na maioria das vezes a resposta é não.
  • Lentamente melhoro nisso, com o tempo, já que sempre cometo erros.

O minimalista se liberta dos desejos, lentamente, para que ele compre menos e gaste menos, fique menos endividado (ou não fique endividado) e, como resultado, precise ganhar menos e trabalhar menos.

Por que ter menos coisas é melhor

14/06/2010

As pessoas às vezes me dirigem olhares intrigados quando eu proclamo que não preciso de mais coisas e que eu estou constantemente me livrando do que tenho.

Que tipo de excêntrico é esse? Por que você iria querer menos coisas?

Menos é melhor.

Menos significa que você gasta menos. Você precisa de menos espaço. Você precisa de uma casa menor.

Menos significa que você se preocupa menos. Você procura menos pelas coisas. Você é menos sufocado pela desordem.

Menos significa que você é mais leve. Você é mais livre. Você pode focar em coisas melhores.

Menos significa que você pode viajar mais rapidamente. Você gasta menos tempo com coisas e mais tempo fazendo coisas.

Menos é mais sustentável, mais bonito.

Repensando necessidades

03/06/2010

Foto de brtsergio.

Uma das bases do minimalismo é que você elimine quanto mais “não necessidades” você puder, para liberar espaço para o que é importante.

Se você não precisa de uma tonelada de roupa, você se livra de grande parte dela. Se você não precisa de um novo gadget, você não o compra. Racionalmente, é claro.

Você aprende a se sentir satisfeito com o que já tem, com o indispensável, com o fazer coisas que você ama em vez de ter coisas.

Mas é engraçado porque frequentemente coisas que assumimos como indispensáveis não são necessariamente essenciais. O problema é que nós categorizamos coisas como indispensáveis porque estamos acostumados com elas e não conseguimos enxergar como viver sem elas. E é difícil fazer grandes mudanças.

Alguns exemplos:

Um carro. Carros são vistos como essenciais, mas surpreendentemente as pessoas viveram sem eles por um bom tempo antes do século XX. Mesmo hoje, algumas pessoas conseguem ficar sem carro. E isso não é impossível — especialmente se você vive em um lugar com um sistema de transporte público decente. E agora há, em muitas cidades, a opção de compartilhar o carro, de forma que você possa usar um carro, quando precisar, por muito menos do que se de fato possuísse um carro. É possível ir de bicicleta ou andando para muitos lugares, e usar transporte público ou carros compartilhados para ir a todos os outros lugares.

Carne. Muitas pessoas acreditam que não podem viver sem bifes e hambúrgueres. E eu era um deles. Hoje em dia, eu não só sou vegetariano, mas em grande parte vegan. E não é tão difícil mudar, se você fizer isso devagar. É também mais saudável e melhor para o meio ambiente — carne e derivados do leite são tremendamente prejudiciais para o meio ambiente e um grande desperdício dos nossos recursos naturais.

Muitas roupas. Eu não defendo andar nu (apesar de alguns fazerem isso) nem recomendo ter só uma muda de roupa, mas é possível ter menos roupa do que muitas pessoas têm. Nós não precisamos comprar roupas constantemente para estar na moda — podemos comprar roupas de qualidade, atemporais, com cores e padrões escolhidos de forma que todas as nossas roupas fiquem bem umas com as outras.

Uma casa grande. Tenha menos coisas e você precisará de “menos casa”.

Esses são só alguns exemplos — pense em todas as coisas que você considera essenciais. São mesmo? O que é realmente necessário, além de comida, abrigo, vestimenta básica e entes queridos?

Uncopyright e a mentalidade minimalista

31/05/2010

Como alguns devem saber, não sou fã de copyright. Na verdade, eu removi o copyright do blog mnmlist.com e do meu outro blog, Zen Habits.

E mesmo que, à primeira vista, uncopyright e minimalismo pareçam não ter relação entre si, acredito que ambos compartilham da mesma mentalidade*.

Entenda o motivo.

O copyright vem de uma mentalidade protecionista, que acredita que o criador é dono de seu próprio trabalho e deve proteger esta propriedade para que possa lucrar em cima dela. O criador irá compartilhar seu trabalho com outros, mas somente mediante um preço, e qualquer um que utilize dele sem pagar, ou o utilize como base para criações futuras, está roubando.

Esta é a mentalidade de copyright.

A mentalidade de uncopyright é aquela de alguém que cede sem garantia de lucro, de alguém que abandona a posse e acredita que o mundo é dono de sua criação. Este indivíduo espera contribuir para o mundo de maneira pequena e, se outros se beneficiam de sua contribuição, isso é uma coisa boa. E se outros utilizam essa contribuição para criar algo novo e bonito, isso se torna uma coisa maravilhosa.

O criador com mentalidade de uncopyright abandona a posse, pois manter a propriedade machuca o mundo e tentar proteger essa propriedade leva a estresse desnecessário.

O minimalista também evita a posse, ao menos até certo ponto, e acredita que ter coisas não o torna feliz. Fazer coisas o torna feliz. Ajudar os outros o torna feliz. Criar o torna feliz.

E é desse ponto que o minimalista abraça o uncopyright, e fazendo isso ele doa ao mundo e espera que o mundo se torne melhor por isso, pelo menos em uma pequena medida.

*mindset foi traduzido aqui como mentalidade. Mindset é uma atitude mental fixa ou disposição que predetermina a reação de uma pessoa e sua interpretação com relação a uma situação.

Minha área de trabalho minimalista

29/05/2010

Eu amo ver as áreas de trabalho de outras pessoas, então eu pensei em mostrar a minha como um exemplo de área de trabalho limpa, minimalista.

A imagem da área de trabalho muda de vez em quando — agora é um leopardo de neve, que lembra o novo OSX snow leopard. Eu gosto de imagens que sejam calmas, mas inspiradoras.

Eu removi todos os ícones, incluindo os ícones de disco rígido (vá até Preferences no Finder, desmarque discos rídigos da lista “show these items”). Eu também removi a barra de menu usando MagicMenu.

Eu autoescondo o Dock (vá às preferências do Dock e “turn hiding on”), porque eu nunca o uso para iniciar aplicativos ou documentos — em vez disso, uso o Quicksilver. O Quicksilver inicia as coisas mais rápido que o Dock ou mesmo o Spotlight, na minha experiência, e pode fazer bem mais que iniciar (anexar texto, enviar itens por e-mail, cortar fotos e mais).

Por um tempo, eu estava usando a área de trabalho em branco, sem ícones, dock ou barra de menu, mas a única coisa da barra de menu de que senti falta foi o relógio. Então adicionei hora e data via GeekTool, e também a minha citação favorita (“A reação apropriada à vida é o aplauso”).

Fora isso, não há nada lá. E é como eu gosto.

Nota: uma versão menos detalhada desse post foi escrita originalmente no Minimal Mac, um excelente blog.

Áreas de trabalho minimalistas no Windows

O Leo é usuário de Mac, mas nós deste blog usamos também o Windows, então achamos legal acrescentar aqui como obter uma área de trabalho minimalista no Windows. Não usamos Linux ainda, mas apreciaremos se alguém quiser acrescentar como ter uma área de trabalho minimalista no Linux.

Windows Vista e 7

Remova todos os ícones da sua área de trabalho: clique com o botão direito em qualquer área livre da área de trabalho e selecione Personalização. Em seguida, selecione ‘Alterar ícones da área de trabalho’, desmarque todos os ícones e clique em OK.

Ative a ocultação automática da barra de tarefas: clique com o botão direito em qualquer área livre da barra de tarefas e selecione Propriedades. Na aba ‘Barra de Tarefas’, marque a opção ‘Ocultar automaticamente a barra de tarefas’ e clique em OK (válido para todas versões do Windows).

Desabilite a barra lateral: clique com o botão direito em qualquer área livre da barra lateral e selecione Propriedades. Desmarque a opção ‘Iniciar Barra Lateral quando o Windows for iniciado’. Clique em OK. Por fim, clique com o botão direito no ícone da barra lateral na barra de tarefas e selecione Sair.

Windows XP

Remova os ícones da sua área de trabalho: clique com o botão direito na área de trabalho e escolha Propriedades. Em seguida, clique na aba ‘Área de trabalho’ e depois em ‘Personalizar área de trabalho’. Desmarque os ícones da área de trabalho. Clique em OK e em Aplicar (só não conseguimos retirar a Lixeira =/, como você pode constatar na imagem abaixo, se alguém souber e quiser compartilhar).

Ative a ocultação automática da barra de tarefas: clique sobre ela com o botão direito e escolha Propriedades. Marque a opção ‘Ocultar automaticamente a barra de tarefas’ e clique em OK.

Outros ícones que possam estar na área de trabalho, como atalhos, pastas, documentos, devem ser removidos manualmente.